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CABEÇA-DE-NEGRO

Naquele reinado onde a terra é fértil,
tudo que se planta dá,
o trono era verde amarelo,
os príncipes vestiam vermelho
no palácio azul caramelo,
a Coroa aparentemente era o espelho,
fulgurava, reluzia no florão da América,
mas tudo tem um preço $real,
e no labirinto palaciano,
alianças espúrias, acordos secretos
sustentavam aquele reinado sul americano;
E o povo? ah! os súditos,
sobreviviam da esperança prometida,
matavam a fome com brioches de sonhos,
como sonho foi o trabalho, a lida,
sofriam impotentes, sem vertentes,
noite sem lua, nem estrelas...
os vassalos-bonecos exploravam o tesouro,
arrancados do povo já sem couro.
O rei? borboleteava em sua carruagem voadora,
perdido no deslumbramento imperial,
tornava realidade a irreal revolução dos bichos, afinal
a ideologia experimentava o poder,
embebedando-se com o veneno da ambição,
mas nesta Partilha Tenebrosa, a escusa ação
da avidez, da ganância escabrosa,
espalhou-se nos corredores e salas da arrogância,
exalando os odores da podridão,
até que explodiu a Cabeça-de-negro
na fala de um desgarrado,
e nobre cabeças rolaram no tapete sem chão,
os silvas, souzas, marias
viram a verdadeira face da corrupção,
ainda assim naqueles dias,
o rei sorria .... sem sorte, sem trilho,
na coroa uma estrela sem brilho,
no ar um clamor mudo, forte,
a imponência desandou.
E quem quiser escreva outra história,
porque essa ainda não acabou ...


andrade jorge
direitos autorais registrados

08/05


ANDRADE JORGE
Enviado por ANDRADE JORGE em 02/08/2005
Reeditado em 13/11/2012
Código do texto: T39652
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
ANDRADE JORGE
Jundiaí - São Paulo - Brasil
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