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Verde (ou Saindo do Coma...)

No princípio era o verde...
E o verde feneceu
Erigiram-se elevações maculatórias
Excreções de rara beleza
Estranheza
Oriundas dos recônditos verminosos
de mentes promíscuas
e podres
Humanos exóticos
Simbióticos
Fanáticos
Pérfidos
Decadencialmente belos
Aglomeraram-se para ver
A novidade.

O ajuntamento dos excluídos
Andrajosos
À porta
Exclamavam e proclamavam
O advento do Redentor
Decerto o responsável e criador
De tamanha proeza
Grandeza
Exponencial fruto
Feito de granito, cimento e cal
Todos queriam ver
e conhecer.

Formou-se a turbamulta
Ensandecida, arremeteu
Assomou na antecâmara
O embate se deu
Farrapos contra trajes de gala
Que ultraje!
Socos, tapas e pontapés
Equimoses violáceas
Sangue aos gorgotões
Aluviões.

Mas a ordem se restabeleceu
As hordas imperiais adentraram o salão
Os Cavaleiros de Sua Majestade
Com lanças, espadas e maças
Sufocaram a insurreição
A paz voltou a reinar
Lei e ordem
Os citadinos respiraram aliviados
De volta ao seu cosmopolitano labor
Apreciar a novidade
Fria e feia.

No princípio era o verde...
Que sucumbiu
E os felizes transgressores
Retornaram para seu lindo e nauseabundo covil.

CARLOS CRUZ - 10/01/2007
Carlos Cruz
Enviado por Carlos Cruz em 02/03/2007
Reeditado em 28/06/2007
Código do texto: T398459
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Carlos Cruz
Miguel Pereira - Rio de Janeiro - Brasil, 48 anos
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1 e-livros (172 leituras)
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