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PERDAS E DANOS

“da vez primeira em que me assassinaram
 perdi um jeito de sorrir que eu tinha...”
 Mario Quintana.

Numa tarde qualquer visito a casa
dos mortos, e abre-se o peito
em alas de ciprestes.
O canto é  fundo, a vida esquálida.

Há um Cristo dentro de mim.
Tantas almas perdidas em cruzes...
Viver é o fio de linha equilibrando
vida e morte.

Amo meus mortos, e o amor é tudo.
Sibila o cicio do vento de outono,
a Voz do Mundo sussurra ao ouvido:
- Tudo é renovação no carisma
de hóstias e sangue!

O vinho é a ferida consagração.
Poesia é choro, na voz amada:
facho de luz fundeado nas trevas.
Somente a poesia resiste às ausências.

O sol tropeça no crepúsculo...
Boca soletra o rito
das perdas e danos.

Do livro OVO DE COLOMBO. Porto Alegre: Alcance, 2005, p. 58.
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 29/08/2005
Reeditado em 25/09/2005
Código do texto: T46101
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 73 anos
3613 textos (908203 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 12/08/20 15:22)
Joaquim Moncks