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O QUASE SUICÍDIO


caótico,
um poeta do mundo chora
e faz um mundo de gente rir...

(das)

desgraças,
quaisquer dos passeadores pelas calçadas da vida,
assustados, agigantam seu olhar tal qual os pássaros
esmiuçados, na lágrima contida, apequenem-se!...

(incomoda)

o pé da sorte
— direito, esquerdo, de coelho —
a voz rouca da mulher
— gasta de cigarro —
que mora e descobre, ao seu lado,
todos os travos dos beijos das línguas soltas
ansiosas para morderem os fins-da-boca...

(desconcertada)
 
ao deslembrar o nome da primeira namorada

(traidora)

chamou-a por todos os nomes de mulheres,
quase todos, menos o próprio dela!

Perdeu-se da distancia,
na mais absoluta confusão mental;
e voltou, fundamental, só para dizer aos românticos
que nem sempre o amor é necessário,
que não é mais preciso entender a reza em latim,
que há muito álcool no vinho e bromato demais no pão...

(passageiro, passará)

amanhã saberá,
que todo o temor da vida só virá no depois.
A mulher que morou ao seu lado,
— ainda com sarro do cigarro —
preta,  soluçada, de olhos presos por palitos,
assiste ao esbugalho do seu desespero-pássaro
selado pelas lágrimas secas entre as sem-pálpebras...

(silencio!)

apesar de tudo,
há muita vida no caótico poeta.

(A serenidade)

precisa acontecer para que os homens desengulam
o álcool do vinho e o bromato do pão!...
Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 04/09/2005
Código do texto: T47605
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho