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RITUAIS

Corpo magro e pés cansados
percorro a estrada vazia dos cavaleiros desmontados
pisando as flores murchas e as velas apagadas
do meu velório

Nem a sombra agüenta o sol
e a solidão da noite reflete o vento
a chuva pinga as cores derretidas
dos sonhos no deserto

Caminho por uma estrada cujos viajantes
sonhando motor e distância
ignoram as flores carnívoras do amor e da amizade
envoltas no capuz petrificado do crime

Outros caminhantes perdem-se na acidez do horizonte
dissolvidos entre os últimos raios do sol
e o abandono,
e nada pode resolver a crise de heroismo deste tempo,
cabeças degoladas rolam as escadarias das catedrais
tão separadas do amor quanto próximas dos negócios

Milagres são afastados da tribuna
a ciência mudou-se para o conforto dos hollerith's
e dos talk shows, enquanto a última tocha apaga
na caverna dos rituais

Corpo magro e pés cansados
espero - olhos fincados no horizonte
as primeiras chamas do sol
acenderem as velas do meu Adeus
revivendo as flores pulsantes
que mantém desperto o cão de guarda
Erico y Alvim
Enviado por Erico y Alvim em 03/08/2007
Reeditado em 06/01/2018
Código do texto: T591473
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Erico y Alvim
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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Erico y Alvim