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Bocejando, bocejando...
e me lembrando... de você, Rodrigo
“Rodrigão”, “Digão”, etc.
Era um valentão pra ninguém botar defeito

Ele tinha uma coisa, ele tinha essa ginga
ginga de boxeador que os meninos
daquela idade, nem sonhavam em ter

Meninos amigos brigando, é engraçado
Por que os socos são disparados como
tiros pra cima, sem intenção de acertar o alvo
socos amigos... murros desgovernados

Mas... com Digão não era assim.

Ele fazia essa ginga
e desviava-se do soco dado
como um boxeador experiente
disparando em seguida, um direto

Que geralmente atingia os olhos
ou o nariz do pobre coitado...
então, em seguida vinha o choro

Choro... Choro... muito chororô.

Rodrigo saía triunfante
Ovacionado, praticamente carregado
Um líder, um tirano adorado...
por um bando

... de imbecis alvoraçados.

Ele pouco falava comigo
mas sempre me tratou
muito bem, quando falava
não falávamos sobre brigas

Ou socos dados, em focinhos alheios.

Falávamos sobre música
ou sobre garotas mais velhas...
no final do dia, esperando nossas mães
quando se atrasavam

Ele dizia adorar Alceu Valença
Enquanto eu... queria ser um Rock star
e também queria muito, estar sozinho.

Portanto, não disputávamos
em absolutamente nada.

Ele gostava muito de mim
eu podia sentir isso
eu não conseguia gostar muito dele.

Pra falar a verdade,
Eu achava ele um grande babaca
O Rei dos Babacas ali,
naquele pequeno reino...

E ele parecia... gostar muito de mim.

Só que, na verdade
eu achava todo mundo babaca
Eu não gostava de ninguém

Então, é bem provável
que algo estivesse muito errado,
comigo... e não

... com o mundo inteiro.
Henrique Britto
Enviado por Henrique Britto em 20/01/2018
Código do texto: T6231457
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Henrique Britto
Salvador - Bahia - Brasil, 36 anos
1221 textos (14527 leituras)
4 e-livros (60 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 25/09/20 21:00)
Henrique Britto