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Eu sou da raça brânquia ... e outras ânsias

Eu sou da raça brânquia
Que respira de baixo d'água
Que é escrava do oxigênio
Que nada de quatro patas
Ou melhor
Que anda no fundo do mar
Com os pés rabisca desenhos
E carrega a pressão.. dos próprios pensamentos, nas costas brânquias
Como uma águia aquática
Cada bolha minha, um lamento
Que bate as asas, vagarosas, cansadas, como quem bate um mundo pesado, inteiro.. em cima da própria carcaça
Que quando chora, a lágrima se confunde primeiro com o ar de baixo
Que lê livros de história
E finge que não vive em um engenho
Não sou um autor salvadorenho
Não sou um cantor porto-riquenho
Eu não sou da raça branca ou negra
Mestiça ou quéchua
Eu sou da raça brânquia
Que respira com a cabeça
Absorve à pele a luz da incerteza
Um rio subterrâneo
Eu sou da raça-alma, de força, verdade e pranto
E não apenas ou unicamente da raça .. de nariz, cabelo,
pele, pés, altura ou reticências... de enquanto,
Eu sou da raça-primeva, da essência,
As origens mais puras da inteligência
Da própria existência, da vida


A metáfora pretensamente poética de Toy Story

Você é descendente
Herdeiro
Um produto
Um brinquedo do menino deus
Uma peça da mãe existência
Você já é ..antes de ter decidido
O que seria
E que bom, em média
Poderia.. ser ainda pior
Se
Com essa mente, metade fogo divino
Metade ogro instinto e paradoxalmente demente
Pudéssemos ter toda a liberdade saliente
Ainda que tardia mentes irresponsáveis
Nos faríamos a imagem e semelhança dos nossos demônios mais deploráveis
Que aconchegam os nossos egos descontrolados e frágeis
Que se apegam mesmo à vírgula mais errada de nossos versos desalmados
Você é um boneco
Pensa que é especial
Que é muito diferente e novo
Pensa que pode voar
Mas a vida é um cair com estilo
Na essência todo mundo é igual, a gema do ovo
É um esvaziar progressivo do todo
Está no mesmo barco, faz coro no mesmo grito
Piedade!!!
Vai afundar no fogo ou queimar no fundo do mar
Será extinto
Depois de
Ter sido para si.. o mais distinto sonhar
Este é o princípio do auto-pensar

Mãos frias

Mas a alma é quente, pelando
Pedindo
Quer mais vida que eu possa oferecer
Aí vem a ansiedade
A imaginação
A criação
O demônio criativo
O seu negócio é entreter.. a tristeza
Do desespero, tira sorrisos
Brinca de equilíbrio no precipício
Ri da morte
Mas quem ri por último
ri primeiro
Vence-la no xadrez
Pelo menos uma vez
O coração, o centro da alma
O sangue sai venenoso
O seu fogo, um tanque
Uma guerra atômica ou calma
Sempre exposto
Sem trincheiras ou estratagemas catatônicas
Não tem como esconder dele
É sempre uma guerra relâmpago
Mais do que qualquer mentira
O amor em seu âmago, é a verdade mais biônica
Impossível não senti-la..


Em média

Em média é uma expressão mágica
Passaporte direto para a razão
Te puxa do instinto
Pega rápido o coração
Faz um raio a sua atenção
Bem dita
Te faz evoluir em apenas duas palavras
Apenas duas
Te separam da flora e da fauna
Te faz menos predador, menos parasita
mais eucariota
Mostra que talvez, você tenha jeito
Não para ser poeta ou poliglota,
Mas para ser o seu dono
dos seus próprios d'efeitos
de equilibrista
Thiago Fávero
Enviado por Thiago Fávero em 13/02/2018
Reeditado em 14/02/2018
Código do texto: T6252669
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Thiago Fávero
Bicas - Minas Gerais - Brasil, 30 anos
419 textos (3768 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 14/11/18 13:08)
Thiago Fávero