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COISAS INACABADAS E O TEMPO DE VIVER

(para Lourdes Maria Ayres, in memoriam)

“Amanhã que é dia dos mortos vai ao cemitério.
Vai e procura entre as sepulturas
a sepultura de meu pai.”
Manuel Bandeira.

O sudário do Pai Eterno
abençoa a tristura que paira
pelos recantos do Jardim da Paz.

Traz o transe dos soluços,
o rosto do meu Pai,
como se possível fosse
mitigar o sofrimento.

O rosto do Pai nunca é a carranca
da reprovação, nem do desalento;
tem a doçura das flores
e o bálsamo da lágrima ardendo sobre a face.

As vozes de meu Pai só sabem dizer
obrigado, obrigado!
por havermos compreendido
o segredo da pomba da Paz.

Os olhos de meu Pai
esgarçam vivos, além do arguto.
Neles repousa o espanto
das coisas inacabadas,
esta surpresa de continuar vivo.

Pousa no horizonte,
bordado de silêncio,
o pássaro da estranha Paz.

Pródigo de vivências,
costuro a túnica inconsútil
sob as bênçãos do Pai Amado,
senhor da vida e da morte.

- Do livro O POÇO DAS ALMAS. Pelotas: Universidade Federal, 2000, p. 86:7.
http://www.recantodasletras.com.br/poesias/630164
Joaquim Moncks
Enviado por Joaquim Moncks em 30/08/2007
Reeditado em 10/01/2011
Código do texto: T630164
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Joaquim Moncks
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 71 anos
2911 textos (776551 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 12/12/17 18:49)
Joaquim Moncks