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Rivotril (I)

nas listradas da meia decidiu navegar.
era ela azulada e de branco listrada.
quase sempre usada nas festas
de sábado e domingos tediosos.

os livros mal cabiam mais a prateleira.
eram numerosos e robustos
como elefantes dependurados no ar.
jamais gritavam, se não se quer às traças:
procrastinados em suas funções, imploravam pelo fim.

a luz ambiente amarelada
era como o restante do cubículo.
um rosto de deboche, solto no desatento
pincel que pincelou as paredes.
eram muralhas que protegiam o vazio.

quantas cápsulas encapsulam um sujeito?
cobrem-o com tantos efeitos,
nenhum sendo capaz de solucioná-lo
ou ao incerto, certamente compreendê-lo.

fragmentos de átomos voavam no ar,
tentativa falha de preencher entrelinhas.
a cena repetia-se como uma ferida aberta
à quem cometia os mesmos hábitos ruins.
cortes recém marcados para o caminho do corpo descarrilhado.

o lápis vital confundiu-se ao lixo do pensamento,
foi vomitado em sonho e amaldiçoado como um pesadelo.
era inato. nativo da realidade triste,
propagou-se
para o reino dos maiores átomos.
que deus perdoe meu pecado.

"mas tu jamais serás perdoado!"
Di França
Enviado por Di França em 22/07/2018
Reeditado em 29/07/2018
Código do texto: T6397082
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Di França
Rio Branco - Acre - Brasil, 19 anos
18 textos (167 leituras)
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Di França