amaldiçoado

onde passa a tempestade,

lá estou eu,

olhando o horizonte.

onde estão os cães de agosto,

as flores de maio,

as tormentas de verão…

estou onde os abutres pousam,

onde as carcaças da morte estão…

onde as paredes são brancas

e os muros, bem altos...

onde os gritos são constantes

e as gargalhadas se exaltam.

estou no tumulto,

no meio do mar,

onde os barcos se perdem

ao querer contornar.

estou onde há restos de incêndio,

pó e destruição.

estou em alta rodovia

com meu carro à contramão.

estou com meu coração

sempre a querer infartar,

sem motivo senão

de eu estar.