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A cápsula da bala

Eu esperei
Que um dia
Eu pudesse
Dizer
Todos os desaforos
Que eu achei
Que você merecia
Ouvir.

Eu quis
Te ferir
Com minhas palavras
Para me vingar
Da forma
Como me senti magoada
Com sua indiferença.

Hoje
Não quero dizer-te
Mais nada.

Você é apenas
Uma ferida que secou
E já saiu a casquinha.

Lembrar de você
É como olhar a fotografia antiga
De uma pessoa
Cuja força da soberba
Foi diluída pelo tempo.

Como olhar a fotografia
De mortos de sobrecasaca:
Usam
Pomposamente
Sobrecasaca
Mas estão apenas mortos.
Entre o cômico e o caricato,
Todos os seus julgamentos
Foram enterrados
Com suas sobrecasacas
E seus protocolos.
E é isso o que vejo
Quando olho
A imagem congelada.

Você é só uma fotografia
Inócua
Largada no fundo
De uma gaveta empoeirada
E que não jogo fora
Porque de alguma forma
Me ensina sobre a força
Que eu nem sabia que tinha
E me fala
Em silêncio
Que o que nos causa sofrimento
Não dura para sempre.

Guardo essa foto
Como quem guarda
A cápsula da bala que o atingiu.
Viviane Marques Miranda
Enviado por Viviane Marques Miranda em 23/05/2019
Código do texto: T6654525
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Viviane Marques Miranda
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Viviane Marques Miranda