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O VENDAVAL e POESIA DO SACO CHEIO

O VENDAVAL

Farfalham os folhas em face às fugidias feras
Furiosas florescem com força fortuita
Sussurram os sábios sem sabedoria, insossos
Sopapo de solavanco em sagaz verborragia
Virando e quebrando as talhas e taças
Cambaleando os móveis, partindo pedras
Força faminta, feliz e falante
Sopre! Sopra!
Ruja e erija um talo esvoaçante
Fumaça tempestuosa e trêmula
Trabalha com sínteses e chacoalha as fossas
Sopre! Sopra!

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POESIA DO SACO CHEIO

Não me interrompa
Nem me amole
Não me pergunte o que faço
Ou o que farás comigo
Sendo que nem eu mesmo sei o que faço
Nem quero nada saber contigo
Hoje estou osso estou nisso
Sou todo meu, nada vosso
Tenho o tempo no ócio
Sou amor e sou ódio
Deixe-me só, apenas acompanhado de mim mesmo
E a minha cólera
Não quero saber de rimas em meu poema
Ou interpretações sobre o que disse
Não quero comentários de quem não leu uma linha sequer
Ou se queres apenas leituras
Queres ser lido? Apenas peça!
Não elogie nada do que não queres se dar ao trabalho de saber
Recuso-me mudar
Embora melhores mudando
Minha mudança não vem com minha força
Então não venha me forçando a aceitar a força de quem não se esforça em deixar-me fraco
Sou perca sou ganho
Sou pedra sou vento
Sou casto e assanho
Sou veloz e lento
Tenho todo o meu tempo
Pra gastar o tempo
Naquilo que acho gastavel
Estou fazendo tempestade em copo d'água?
Claro que estou
Que te importa o tamanho do meu mundo
Ou se tenho eu poder de transformar uma tempestade num gole?
Não me comente
Não me Leia!
INSISTO! NÃO ME LEIA
Se leres, não Leia mais.
Condeno-Vos a passarem o resto dos seus dias com raiva
De ter uma poesia diante de si
E nao terem o poeta pra explicar sequer uma linha
Por que?
Ja abandonei tudo aos poucos
Mas tudo nunca foi meu?
O que abandono então?
Quero amizades velhas se inovando
Quero amizades novas com as falas das velhas
Quero comidas diferentes
Para sentir diferentes dores e barriga
Deixe-me com meus preconceitos pessoais
Tem preconceito contra meus preconceitos?
Sinta a fúria de minh'alma
Perambular sobre essas palavras
E que a erupção do meu eu
Seja evasiva
Seja efusiva
Seja imersiva
Seja imperativa tal qual mar que engole tudo, mas que é escravo das próprias ondas
Recuso meu psicólogo
Faltei no médico hoje
Minha doença é ser eu mesmo
E minha sentença é querer mudar sem poder
Então decido contaminar-te
Sim! A ti! Contaminar-te
Para de uma vez por todas perceberes
Que ninguém pode interromper
Aquilo que nunca se moveu
Leandro Severo II
Enviado por Leandro Severo II em 29/05/2019
Reeditado em 21/08/2019
Código do texto: T6659713
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
Leandro Severo II
São Paulo - São Paulo - Brasil, 26 anos
76 textos (3452 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 20/11/19 01:08)
Leandro Severo II