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Meu país

Era como o é.
Um mundo torpe, onde o valor mais pesado,
Mais profundo,
Dava-se ao desonesto oriundo.
Onde quem nasce em berço nobre,
Dourado, geralmente abastado,
Remete-se à sina
Assimétrica, a do outro,
Nascido em favela (ao esgoto) ,
De voltar-se a rapina
Onde ter e não ter, muito além do querer.
É casta odiosa,
Revelando-se aos poucos
Que irrompem amarras, furiosas.
Abraçando-se a Judas
Por pináculo glorioso, se agarra
Numa postura servil .
Agachado e humilhado
Para ser, então, desonrado
Até, pois, deflorado
pelo mercado viril.
Era como se diz: um mundo cristão,
Onde pretos, mestiços, amarelos( nunca brancos)
Reconhecem-se no serão,
Onde da cana, o cortador,
Coleciona suas trincheiras em dor
Para dar-se á semente,
Magro, esquecido, barrigudo, analfabeto, absurdo.
Feijão pouco, podre, sujo,
Para aplacar tamanha fome dolente.
Era e ainda o é, um mundo onde o empresário latifundiário,
Advogado bacharel,
Playboy engravatado,
Recebem muitas, as salvas,
Em revelia ao trabalhador braçal.
Este nobre pertinente serviçal,
Intitulado vagabundo.
Mundo pouco altruísta,
De conceito elitista
Em poucas faces barrocas,
Submerso, egoísta,
De tez plácida,
Fisionomia distinta.
Que ergue na flâmula, ocre racista,
Separatismo vil,
enclausurado
Por não muito
suturado,
Fascista.



maio/2007.recife.

Wam Nick
Enviado por Wam Nick em 24/09/2007
Reeditado em 05/07/2009
Código do texto: T666017

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Sobre o autor
Wam Nick
Recife - Pernambuco - Brasil, 43 anos
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