Noites de estrelas


Nas tantas noites em nosso recanto
à beira da praia, quando nos quedamos
apaixonados olhando o céu a contar estrelas,
miríades delas, às centenas, aos milhões,
que refulgiam sobre nós como se um manto
a nos proteger pelo tempo em que nos amamos,
podíamos senti-las mesmo que sem vê-las...

E voávamos abraçados pelo firmamento
Tornados unos naquele amor infinito
Vendo-as refulgir a nossa volta, éramos cometas
Libertos enfim de nossos grilhões...
E víamos o sorriso sucedâneo ao lamento,
O gemido substituído pelo grito incontido
no torpor espontâneo e puro sem falsetas.

Hoje, só, com os olhos toldados pelo pranto,
Já nem mesmo as diviso no firmamento
Mesmo que ali brilhando não mais as vejo,
Perdido em meio às tantas profusões...
Desconsolado, abro o peito a meu canto,
Dando vazão a esse inefável lamento
Impedido de continuar a saciar seu desejo.
LHMignone
Enviado por LHMignone em 03/08/2019
Reeditado em 10/01/2020
Código do texto: T6711368
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