BALA PERDIDA

Festas juninas,

Estampidos bonitos,

Pólvora seca

São os festins.

Povo na esquina,

Movimento esquisito

Sei lá o que foi!

Pobre de mim.

Pessoas correm,

Medo ou anarquia?

Parece tudo normal.

Enquanto uns morrem

Outros é só alegria

Não entendem o motivo do mal.

Talvez seja o que angustia.

Não é preciso mais agredir

Para que se tirem vida

Não sei mais para onde ir

Pois a minha também pode ser atingida.

Loucos, não estão nem ai,

Caroços de chumbo

Perdidos nas ruas é assim

Polícia ou bandido

Foi um dia brincadeira para mim

Hoje é real e daí?

Vidas sucumbem

Que banalização.

Jovens se matam,

Não querem saber.

Pois na verdade tudo é emoção

Não tem medo de morrer.

Ninguém sabe o por que

De tanto corpo perfurado

O mundo está ficando triste

E seu povo amargurado

Evitando tudo que arrisque

Ficando em casa aquartelado.

Sai da frente

Pois ai pode vir uma

Pode ser de repente

Um dia você podes ter a tua

Não dobre a esquina

Pois lá pode esta essa menina

Que atinge o coração

Sem clamor, amor,

Carinho ou perdão.

Feche a porta, lá vem ela.

É inútil, não deu certo.

Corra não fiquem perto

Tirou mais uma vida sem decreto

Bandeira branca

Não surte efeito

O tiro tem endereço

Se não o coração,

Mas o meio do peito

Não morra

Levante a cabeça

Enfrente a guerrilha

Ou então padeça.

Por: Miguel Nascimento

Escrita na Cidade Rio Largo - AL em 14/08/2006