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Duas vezes paixão

Um passeio sob um sol

que nunca nasceu,

numa tarde de maio

que nunca existiu.



A praia que não fomos.

O vento que não soprou.

Teus cabelos que não balançaram



As cortinas que não fechamos.

O abraço que nos faltou.

As lágrimas que te afogaram

e que nunca pude enxugar.



O nosso não caminhar

de olhos e mãos

e pernas

e carnes entrelaçadas.



A cama em que nunca deitamos

As besteiras que você nunca sussurrou em meus ouvidos.



Essa ausência silenciosa

que me assombra

é um monstro de infinitas aparências.



As palavras que me aceleram

e que são escritas

por mãos longínquas,

mas tão presentes.

Mãos familiares,

mãos leves que nunca alisaram minha testa suada.

Mãos que amei

sem mesmo nunca ter visto.



Eu estou em você e você está em mim.

Mas ainda assim não consigo dizer

que te entendo,

não com toda a coragem, não com toda a certeza.

Assim como tudo, isso também não existe.



A dor é particular demais.

Ela emana a cada batida no peito

e todos ao redor podem sentir o cheiro,

podem ver a cor, podem se sentir mal na presença dela,

mas apesar de grande,

a sua sina é caber

em apenas um coração.



Deuses, como eu queria que você

me acendesse um cigarro agora.



Somos um longo não ser

Mas isso não me derruba.

Não.

Nunca.

O que me corrói,

não é toda a possível ventura

que nos foi negada,

O que me aflige, é tua tristeza

ser Maior do que a nossa distância.



O Bêbado
Enviado por O Bêbado em 31/10/2020
Reeditado em 31/10/2020
Código do texto: T7100945
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
O Bêbado
Olinda - Pernambuco - Brasil, 32 anos
132 textos (3307 leituras)
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