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HOMEM DE COR

por Regilene Rodrigues Neves

Era a multidão
Uma passarela...
Teu vulto
Oculto entre milhões
Eram os centuriões
O teu cárcere.

Nas cores que pintaram tua aquarela
Não fora o matiz da tua infância
Mas o negro da tua criança
Que o mundo escravizou.

Tornou-te escárnio de uma raça
Que em praça
Tantas vezes acorrentou...Chicoteou...
E a tua inocência nada mais encontrou
Do que as lágrimas da tua ignorância!

Aquela euforia por tua presença
Tema da tua figura abandonada
Na calada da tua dor!

Tantas vezes
A fome roubava-te a lucidez
E no definhar da tua sensatez
Jogavas teu corpo pelas calçadas
Na tormenta da carência
E do desamor

Rastejava pelo passado
Em busca de um princípio
E no teu início
Nada mais que um homem de cor
Que a humanidade escravizou!

Marcou
Fez-te piadas
Motivo de risadas
Por quê?
Porque era negra tua cor!





regipoeta
Enviado por regipoeta em 13/11/2005
Código do texto: T71170


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Sobre a autora
regipoeta
Goiânia - Goiás - Brasil, 58 anos
1454 textos (154775 leituras)
22 e-livros (7202 leituras)
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regipoeta