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Um dia comum

Agradeci a todos os fatos comuns,
a todos os ruídos comuns
de um dia absolutamente comum.
Acolhi a manhã que já nascera predestinada
a rolar sem nenhuma novidade.
Abençoei o riso despreocupado
de uma tarde sem planos definidos
que se desenrolou morna,
mal se importando com o sentido
de todas as coisas.
Contemplei as nuvens avermelhadas
do cair da tarde...
e deixei que meu olhar se integrasse
ao colorido que desmaiava.
Então, por instantes tive consciência
de meu corpo preso ao chão,
infímo grão de poeira atraído por uma lei
cuja fórmula desconhecia.
Em frações de segundos, o extraordinário
veio assombrar toda normalidade.
E até mesmo o canto dos pássaros ao entardecer,
soou-me como rara sinfonia...
Foi preciso que todo o dia se arrastasse
e que a noite devagarinho chegasse
para que a inquietude caísse sobre a alma.
Um remoto sentimento de culpa despontou,
reunindo-se àquelas sombras interiores
que nenhuma luz ilumina.
O que eu poderia ter feito para recuperar
os instantes irreversíveis?
Que planos deixei de fazer para o amanhã?
Tenho agora sensação que o tempo enganou-me
preparando as cenas de uma reconfortante normalidade.
Ou fui eu mesma que enganei o tempo?
Mareluz
Enviado por Mareluz em 27/10/2007
Reeditado em 28/10/2007
Código do texto: T712649
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Sobre a autora
Mareluz
São José dos Campos - São Paulo - Brasil
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