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O ESPÍRITO DO POETA

O ESPÍRITO DO POETA

Nasce com o choro do bebê que vem ao mundo
e pinta a vida numa espécie de aquarela,
ele repousa entre os seios da donzela,
onde dorme o seu sono mais profundo...

Seu cosmo está em cada pétala de uma flor
e tem a forma da ave que a beija...
É a força e o canto da garota sertaneja,
quando desperta para o sonho do amor...

Está viajando à velocidade da luz
num veraneio pelas dimensões do tempo...
É adimensional como o próprio pensamento
nas direções que a mente lhe conduz...

Está nas cores transparentes do arco-íris,
quando em vapor, os rios correm pelo céu...
É a silhueta de uma noiva atrás do véu,
e suas lágrimas ao ouvir, sejam felizes...

Está na fé de um Jorge Amado, tão querido,
retratando a vida, quando escreve...
É a brancura da montanha com a neve,
que esconde um vulcão adormecido...


Está nas veias e nos vasos capilares,
no oxigênio que mantém todas as vidas...
É a promessa de Cristo na despedida,
que voltaria pra salvar a humanidade...

Esta na mente que habita na pureza
e é de Deus, o seu servo exemplar...
É a onda mansa e cristalina do mar,
quando nos mostra sua exótica beleza...

Está num gesto que ampara o semelhante,
dando-lhe esperanças e reduzindo sua dor...
É a parceria entre a abelha e a flor,
tornando a vida mais bela e abundante...

Está no sorriso alegre da criança,
que vê na mãe a figura de Maria...
É a cor rubra do sol no final do dia,
pintando o céu de beleza e esperança...

Está na determinação dos nossos aposentados
que sobrevivem com um salário mínimo...
É a força de um leão em seu domínio
que lhe confere o título máximo do reinado...

Está no grito de uma sociedade assustada,
quando confunde policial com bandidos...
É a vocação de professores esquecidos
em tantas escolas públicas, abandonadas...

Está nas palavras de fé, quando conforta
a dor de quem perde a genitora...
É a água, que no deserto é salvadora.
e dá perfume ao cacto quando flora...

Está no vento que desmancha teus cabelos,
com a rebeldia que a beleza o permite...
É a cidadania que o Betinho tanto insiste,
numa sociedade que torceu os tornozelos....

Está no assovio do vento no telhado,
que nos perturba o sono merecido...
É um político que por causa do partido,
mesmo sofrendo ficará do outro lado...

Está no magnetismo que provoca o sexo oposto
quando o desejo é aceso em nossa mente...
É a vontade que nos dá, de viver eternamente,
quando a alegria se estampa em nosso rosto...



Está na descontração de pessoas responsáveis
nos instantes que experimentam a boemia...
É a luz do relâmpago, em noites de ventania,
espalhando no céu as mais lindas paisagens...

Está na mente, da mãe que carrega um filho
e apenas desconfia, que já o concebeu...
É a certeza de que Cristo só morreu,
pra despertar na espécie humana, o seu brilho...

Está na força que rebenta uma semente
pra dar beleza e fazer brotar a vida...
É um meteoro que com fogo, o céu risca,
anunciando sua vinda à nossa gente...

Está na boca de um menor abandonado
quando mastiga as migalhas que pediu...
É a força na enchente de um rio,
mostrando ao homem o ambiente devastado...

Está no perfume que exala a laranjeira,
quando suas flores se abrem para o mundo...
É o sossego que dá vida ao vagabundo,
quando descansa entre os braços da rameira...

Está na dor que devora o homem pobre,
vendo a fartura esparramada no mercado...
É a riqueza de um ser embriagado,
com o amor que lhe dá espírito nobre...

Está nas asas que transportam o beija-flor,
dando-lhe graça no seu jeito de voar...
É o marujo quando sai para pescar,
numa jangada que ele mesmo fabricou...

Está no templo que simboliza nossa fé,
a qual nos guia por caminhos tão estreitos...
É a vontade de fazer tudo direito,
pra ser notado por uma única mulher...

Está voando junto com as andorinhas,
quando migram, a procura do calor...
É a certeza de viver um grande amor,
quando a paixão não é uma erva daninha...


Está no pingo da chuva de dezembro,
quando vem a primeira trovoada...
É  a lua que nos dá na madrugada,
sua beleza, sua luz e muito dengo...


Está no presente que ganhamos no natal,
como se alguém lesse nossos pensamentos...
É a via Láctea enfeitando o firmamento,
numa explosão de beleza universal...

Está no brilho da esmeralda que fascina,
levando o homem à tortura da riqueza...
É a consciência de quem vive a singeleza,
de um poder, que cedo ou tarde termina...

Está na órbita irregular de um cometa,
que nos visita a cada quarenta anos...
É a vida nômade e errante de um cigano,
sem lugar certo pra viver neste planeta...

Está na saudade que mata a nação inteira,
de Vinícius, Tom Jobim, Ayrton sena...
É a força, o brilho, e as curvas da morena,
que arrasa os desfiles, da vila, da mangueira...

Está no horizonte que foge do navegante,
na mesma proporção de sua velocidade...
É a vontade que tem de voltar a mocidade,
quem não viveu plenamente cada instante...

Está nas águas que enfeitam a cachoeira,
e o sol pintando o ar, faz arco-íris...
É o desejo mais forte que sentires
por teu amor, em tua vez primeira...

Está no beijo que nos leva a outro mundo,
transportado por esta força universal...
É do Salvador o último gesto natural,
Quando se inclinou para o sono mais profundo...

Está no tapete verde que brota no sertão,
quando a chuva molha a terra ressequida...
É o amor de Nossa Senhora aparecida
e a força do Padre Cícero Romão...

Está no terror, que nos morros cariocas,
lembram o descaso dos políticos do país...
É aquele amor profano, que não fiz,
em detrimento dos desejos que o provoca...

Está na folha que caída no outono,
torna-se o adubo da planta no inverno...
É a dor que transporta para o inferno
o apaixonado que vive no abandono...



Está evaporando com a água no calor
para voltar e trazer vida à natureza...
É a força que elimina ou dá tristeza,
em quem partiu deixando seu amor...

Está nas telas quando exibem a criação
desses malucos apaixonados por cinema...
É a poesia de Alencar para Iracema,
feita em prosa e escrita no coração...

Está no suor que na atleta escultural,
cola a malha em suas protuberâncias...
É no pai eterno, a extrema tolerância,
na mãe do mestre, o instinto maternal...

Está na alegria do sertanejo com a colheita
quando o inverno lhe permite essa ventura...
É a sombra de um juazeiro que assegura,
aos passarinhos sua cantoria mais perfeita...

Está nos olhos que enxergam a natureza
criando a vida nos lugares mais estranhos...
É um pastor, que vive e cuida seu rebanho,
numa simbiose de extrema delicadeza...

Está no gesto da mão que nos suplica
e tranca nos dedos o trocado da esmola...
É o acorde que arrancamos da viola,
cuja harmonia, cria vida e multiplica...

Está com o vaqueiro, nas caatingas do Nordeste
e o gado magro, vagueando nos espinhos...
É o cuidado que têm todos os passarinhos,
cuidando a cria, com sabedoria celeste...

Está pulverizado nas sagradas escrituras
em seus versículos de saber inconfundível...
É a riqueza, quando ela é compatível
com o bem está de todas as criaturas...

Está nos sonhos das crianças amparadas
cujos pais, cumprem com o dever sagrado...
É o saber que nos faz tão destacado
entre as espécies, no planeta espalhadas...


Está com a seriema, quando canta no serrado
fazendo a festa pra quem ama o criador...
É o gesto de Deus, nas mãos de um doutor
salvando a vida do nosso filho amado...


Está sofrendo com as vítimas de catástrofes,
que abalam as populações do mundo inteiro...
É a vontade de na fé ser o primeiro,
como um piloto, que vence em Indianápolis...

Está na voz de um filho quando fala
e teríamos que ser bebê para entender...
É o aidético que descobre que viver,
é o único conforto que o embala...

Está nas partituras que repousam todo o gênio
dos grandes mestres da música universal...
É a força e a beleza da Amazônia tropical,
que será o símbolo da vida neste milênio...

Esta nos cabelos brancos do meu mestre
simbolizando o acúmulo do saber...
É levantar cedo para ver o sol nascer
e ter a chance de tocar uma flor silvestre...

O espírito do poeta está em todo universo,
e em cada canto ouvimos o eco de seu grito...
É a energia propulsora da vida no infinito,
que a gera, alimenta e glorifica em cada verso...
Jacó Filho
Enviado por Jacó Filho em 30/10/2007
Código do texto: T716028
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Jacó Filho
São Paulo - São Paulo - Brasil, 68 anos
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