SOFRIMENTO DA PALAVRA

Não hás de arrebatar da Dor teus pobres versos

Nem lhe furtar o fardo que tanto te abomina:

Nas profundezas rasas de teus universos

Jamais entenderás o que ela te destina.

Por mais que te açode o inútil esforço

de transportar às letras os teus sentimentos,

catarses tuas são apenas mero escorço,

disforme esboço desses teus tristes momentos.

A Dor, maior que tudo, é a deusa da Verdade

E tu, na tua insana e tensa veleidade,

Não tenhas pretensão de a apreender.

Na busca de palavras que a retratem, competentes,

Em vão, em desespero, jamais te atormentes,

Melhor que te assossegues e deixes de sofrer.

mreno
Enviado por mreno em 20/03/2005
Reeditado em 21/03/2007
Código do texto: T7176