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NOITE (dedicado à Lila, minha sobrinha)

Não é verdade que à noite todos os gatos são pardos.
Não é verdade que a noite é uma criança.
À noite as tristezas saem a passeio.
Os fantasmas se escoram frios nos cantos dos quartos.
Os morcegos esvoaçam nas torres das igrejas.
As consciências fazem exame de ressonância magnética.
A noite, namorada da solidão, congela
bêbados, mendigos e marginais.
A madrugada tem calçadas urinadas
e meninas prostituindo-se.
Príncipes encantados e executivos transformados
em maníacos.
Os homens viram pelo avesso.
A lua desperta lobisomens
e mulas-sem-cabeça.
A noite não nasce, não raia, não surge.
A noite desce.
As flores choram.
As gatas miam no cio sob o olhar redondo das corujas.
A noite é uma velha invejosa
da eterna juventude
das manhãs.

                                                  27 de junho de 2006
TÂNIAMENESES
Enviado por TÂNIAMENESES em 02/11/2007
Código do texto: T720331
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
TÂNIAMENESES
Aracaju - Sergipe - Brasil, 69 anos
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