Poema Pra Espantar Necessidade (ou A Cura Para Aquela Doença)

"É preciso menos amar para se escrever,

muito amor é doença

e, doente, não há poeta que conjugue

um verbo, um adjetivo,

um abraço sequer.

Dos dois, poema ou poeta,

à um apenas pertence a cena:

ao outro cabe o esquecimento

e o esquecer

e um quinhão do alívio

de guardar a paixão na palavra.

Mas se o poeta ama

e o faz sem limites,

dele a poesia escapa,

ela não é assim,

não se entrega...

... o poema tem medo da paixão do poeta.

É preciso não precisar,

já que o que importa é o querer;

há de bastar a vontade

(e não a necessidade)

pra fazer brotar o romance

que o poema vem de enfiada,

chega junto

e bebe da felicidade ingênua

de ser exatamente aquilo que deve ser quando as coisas vierem a acontecer!"

Diego Filipe Araujo Alcântara
Enviado por Diego Filipe Araujo Alcântara em 06/11/2007
Código do texto: T725214