CARMA

A seca tudo flagela

sob o sol inclemente,

no ar árido,

no chão áspero

de uma chuva ausente.

Um dia,

o sertanejo clamou

aos céus

gotas de misericórdia,

uma saliva das águas.

O senhor do tempo

consultou o sol:

este mostrou-se cruel;

confabulou com o solo:

esse esbanjou-se em soberba

foi ter com o ar:

aquele estava tão seco.

Ao pobre homem

de rugas cheias

e rogos vazios,

o seu destino estava

fadado,

fardado

pela desesperança:

Do sol,

faltou a providencial

humanidade;

Do solo,

não vingou a desejada

humildade;

E no ar, sobretudo,

não se viu, sequer,

um resquício da urgente

umidade.

Leonardo do Eirado
Enviado por Leonardo do Eirado em 03/10/2021
Código do texto: T7355901
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