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PULANDO CARNIÇA


Pula-carniça, salte traquina,
avance a esquina sem carros
e derradeira passará, desatenta,
pelas cercas rotas de arame-farpado
onde deixou meu pedaço desvestido.

Pula-carniça, salte um riso,
chupe manga no galho mais alto
e respire os peixes, livres do plástico,
no riacho da horta de verduras frescas
onde escondeu seu pedaço de cheiro.

Pula-carniça, salte à-toa,
jogue a casca de banana no céu,
e ganhe a amarelinha, qual um saci,
para os meninos de rua, tão invejosos,
que não a viram como eu: sem calçola.

Pula-carniça, salte a dor,
pule pela sombra refletida no pátio,
e só cresça quando o sol ficar adulto,
mesmo com a pouca vida do meio-dia
dos homens que viram sua sombra nua.

Pula-carniça, sobras de criança,
os jogos perdidos do tempo de menina.
E, quando sua infância não puder mais pular,
tire a bermuda do sol que pula-carniça
saltando pelas costas das manhãs.

Djalma Filho
Enviado por Djalma Filho em 22/03/2005
Código do texto: T7427
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Djalma Filho
Salvador - Bahia - Brasil
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Djalma Filho