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ENFERRUJADOS CORAÇÕES

Está tão dificil amar
que tenho um coração enferrujado,
lá no porão, largado, à espera da vazão do mar...
Cresce o musgo e seres viventes descrentes do amor
o habitam e borboletas o levitam sem nenhuma dor
de o fazer crente em qualquer sentimento,
nem mesmo o valioso vento que desbota a sua cor,
pálida e desfeita no parapeito do tempo...
Às vezes, no entardecer, o sol poente lembra-o do paraiso;
quase que imperceptivelmente nasce-lhe um sorriso,
depois some de sua boca como lhe fugisse uma palavra louca,
um rato que escapa da ratoeira, um caramujo da ribanceira,
água que lava o chão entornada da frágil louça...
Está tão fácil amar
que tenho um coração dividido em quartos iguais,
sem portas secretas, como jaulas para amorosos animais...
Cresce o desprezo por amores fáceis e seduções que não seduzem;
Lábios descansam nos cabides, almas se empoeiram nas gavetas,
um olho no túnel, um olho na luz, outro ainda na vã miragem,
quem dera ter a coragem de comer o suficiente e parir a ida,
desmontar o corpo cansado no porto, largar o pesadelo à deriva...
Amar é pesar o amor numa balança de gramas e não sentir o peso.
Amando ou não amando, viverá até quando o desassossego?
Casais se beijam debruçados em muretas à beira-mar,
Conversam sobre a inutilidade de palavras densamente nítidas...
Amar é comer e sentir que não é a comida que sacia
e sim a fome de sentimento investida...
Amar é poder olhar o vento de frente
e sentir suas mãos a desmanchar os cabelos
tão prontamente penteados de manhã,
agora emaranhado novêlo...
Eu, de coração com ferrugem e sem nenhum motivo
para limpá-lo, levo-o pela minha estrada e com ele sigo.
Até o dia ou momento que alguém o fará de novo faminto
e eu tenha que alimentá-lo fartamente com o que sinto.











Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 03/12/2007
Reeditado em 03/12/2007
Código do texto: T763168

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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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