PAULICÉIA

Frio terrível lá fora,

frio aqui dentro de mim.

Neblina no taboão,

neblina no olhar de breu

ferida no coração

ser errante, que sou eu...

E em meio às avenidas

desta louca paulicéia

tua imagem me acompanha,

tua sombra não me deixa...

No meio dos edifícios,

eu me dou, em sacrifícios,

sobe aos céus, a minha queixa.

Eu me escôo nas sarjetas

e me vendo por gorjetas

troco o corpo por trocados,

pra me aquecer do frio

perder-me, no desvario,

pra me esquecer dos teus olhos

marejados de garoa...

Eu sigo na rua, à toa,

olhos também transbordantes,

pensamentos delirantes,

largados, esvoaçantes,

sedentos de liberdade.

Prisioneiros da saudade,

esquinas desta cidade...

lisieux
Enviado por lisieux em 26/03/2005
Código do texto: T8060