O termômetro

Euna Britto de Oliveira

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Vertical, importado e simples,

Continua no lugar onde ele o fixou

(Na parede, próximo à face externa

Da porta de entrada do principal quarto do sítio),

No tempo em que ainda podia medir até sua própria temperatura!

Parou de poder.

Ganhou outros poderes...

Sua temperatura é coisa do passado.

Seu temperamento é coisa do passado.

Temporário corpo.

Hoje, por exemplo, chove!...

E a temperatura ambiente é de 22 graus.

Já no sonho que o menino Diego teve com ele,

A escada até o céu era de ouro

E tinha infinitos degraus...

Se pensar muito, anoiteço.

Se não pensar, eu não cresço.

Querer ver do outro lado do véu – velho desejo humano.

E impossível.

Se houvesse um termômetro para medir este meu desejo,

Ele atingiria o grau máximo!

— “Quando eu crescer, se eu for Jornalista,

Prometo que vou colocar este seu poema na revista,

Na capa da revista!”

Diz-me Luísa,

Neta dele e minha,

Em seus sete anos de olhos verdes...

— "Você faz poesia muito bem, Vó!

E eu me machuco muito bem!"

Luísa é linda,

E não pára de me medir...

Euna Britto de Oliveira
Enviado por Euna Britto de Oliveira em 06/02/2008
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