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Adestramento feminino

Por muitos séculos,
Nós, mulheres não fomos educadas.
Fomos domesticadas
Como cães.
 
Pare! Sai! Não!
Essa foi a primeira lição.
Expulsaram-nos do paraíso do lar
Por desejarmos comer o pomo (de Adão)
 
Calada! Quieta! Morta!
Quando demonstramos opinião
Fomos caçadas e queimadas
como bruxas, pela santa inquisição.
 
Senta! Deita! Rola! (com graça...)
Freqüentamos ricas escolas de adestramento
Para obter pedigri, atestado de raça
E garantia de bom casamento
 
De pé! Levanta! Passa! (lava, cose, serve)
Ensinaram-nos desde cedo essa função
Hoje, pagamos empregadas, domésticas
Fingimos que nos livramos da servidão.
 
Junto! Fica! Dá a mão!
Quando cumprimos essas ordens
ganhamos uma linda argola de ouro
e nos tornarmos fêmeas de estimação.
 
Pega! Aqui! Morda! Larga!
Ah! Os homens são tão divertidos!
Quando obedecemos, ganhamos comida,
Carinho e um dono chamado marido.
 
Ataque!
Esse comando é perigoso! Cuidado!
Se o adestrador for bem gostoso, obedeça.
Mas se não... esqueça, vire pro lado
e finja que está com dor de cabeça. 
 
Muitos homens e mulheres
ainda não sabem educar seus filhos.
Transferem essa função aos professores
Como se nas universidades, coitados
Não fossemos todos (a)mestrados.
Marilda Confortin
Enviado por Marilda Confortin em 10/02/2008
Reeditado em 23/11/2008
Código do texto: T854090

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Sobre a autora
Marilda Confortin
Curitiba - Paraná - Brasil
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Marilda Confortin