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TARDIO

Dezoito e trinta:

A hora do leão enjaulado

Rondando o sexo mal coberto da estagiária,

Buscando uma esperança no pôr-do-sol do espelho d’água.


Dez oito e trinta:

Números desfigurados pela banalização da cabala,

Da macumba, da numerologia, da física elemental e da alquimia.


Dezoito... trinta...Quanto tempo!

E agora, 48, tudo vê na perspectiva do tempo que não recua.

Tudo poderia, se tivesse, se pudesse, se houvesse...

O conhecimento em geral é tardio,

Suspeita de armação,

Conspiração do universo-sempre-de-sacanagem.


18h30: Ninguém nunca vai explicar nada,

Tanto faz o bem com tanto faz o mal,

Tudo é risco pessoal

E a hora da partida não se marca.


Dezoito e trinta:

O preciosismo no uso da vírgula,

A obsessão por clareza.

A ânsia por dias perfeitamente azuis

E noites sob um manto protetor de estrelas.


18h30: Deus deve estar ocupado em algum lugar, mas logo voltará.
Nelson Oliveira
Enviado por Nelson Oliveira em 24/04/2008
Código do texto: T960489
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Sobre o autor
Nelson Oliveira
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 58 anos
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Nelson Oliveira