A CASA  À  BEIRA DO RIO

Ela atravessou o tempo
mais de um século viu passar
no assoalho gasto, marcas de passos
pelas paredes, nuas de tintas
passeiam sons, vozes, risos
pelas frestas das janelas
memórias tentam se diluir
cansadas de tanta saudade

No quarto, que um dia, abrigou o amor
o leito, agora geme, com profundo amargor

O quintal ostenta o delicado alpendre
por onde, algumas flores ainda pendem

A cozinha guarda o calor de um coração generoso
e o carinho de mãos dedicadas, a amassar o pão
servido sem pressa, na próxima refeição

A mesa de jantar, hoje capenga
teima em se manter em pé
na textura rústica da madeira
ficou guardado o cantato
de mãos que justapostas, agradeciam
o presente de cada refeição
hoje, só resta doce emoção


Imagem: Lenapena
Lenapena
Enviado por Lenapena em 14/04/2019
Reeditado em 14/04/2019
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