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Coração de concreto ( Ode a São Paulo)

I

De homens e máquinas,
De suor e labuta,
O sustento diário,
A mais árdua luta.

Nas escadarias gélidas
Do teatro imponente,
Do sereno ao orvalho,
Um lar permanente.

Instante veloz...
Uma corrida de fuga.
Sirenes zunindo...
Estampido ensurdece.

Emudece... cala
Multidão automática,
No balanço do trem,
Rotina de máquina.

II

Do desvairio de Mário,
Muito pouco mudou.
Fez-se mais populosa
Paulicéia de dor.

Mega aldeia global,
Sua beleza,
Seu veneno,
Vício eventual.

Desejo masoquista profundo,
Me deixar absorver por seu mundo.
Sentir seu pulsar ritmado.
Seguir seus passos, embriagado...

Lamber, do teu corte, a ferida.
Sugar o seu mel, pouco a pouco.
Cidade que invade as entranhas,
Que mora dentro do corpo.
 
III

Mas é de concreto seu rosto,
De fumaça seu coração,
De vidros e aços,
Óleos e graxas...
 
È tapa na cara e grito estridente.
De sangue e silêncio a sua história.
Dos cavalos em marcha e armas em punho,
O sumisso de vozes que nada temiam.

Um calar submisso de sons e palavras.
Um vácuo de idéias e dolorosos penares.
Um temor inebriante de sorrisos e disfarces.
Mas feito de Franciscos e Reginas...
 
Que com seus versos alertas e fazedores de conta,
Suas vozes potentes e despudoradas,
Tiraram o sossego da burguesia comedida.
Fizeram pulsar novamente cidade estagnada.

IV

Ah São Paulo...Minha cidade querida
Saio em busca de ti, te descobrindo a cada segundo;
Nos olhares infantes de faróis e esquinas,
Nos sorrisos insanos, sentimento profundo.

Dos braços que erguem seus arranha-céus,
Das mãos que te fazem mais bela,
Das casas que se aglomeram em desalinho,
E dos carros que te poluem o azul.

Da garoa que te deu a fama,
Do teu povo que te dá dinheiro,
Dos teus donos que te dão poder,
E dos teus porcos que te roubam o milho.

Paulicéia de motores incansáveis,
De veias pulsando a céu aberto,
Musa de sentimentos impalpáveis,
Deixa eu cantar tua beleza em meus versos.
         
Mari Mérola
Enviado por Mari Mérola em 24/01/2007
Reeditado em 24/01/2007
Código do texto: T357583

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Sobre a autora
Mari Mérola
São Paulo - São Paulo - Brasil
29 textos (3076 leituras)
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Mari Mérola