tenor.gif?itemid=12066838
O REI
(Sócrates Di Lima)

Na tarde que atravessa o dia,
debruçado no parapeito,
O Rei declama sua poesia,
No tenor sonido vindo do peito.

E ela em algum lugar o ouve,
Respondendo com a brisa da tarde,
Roçando seu rosto absorve,

E nesse transpor de lembranças,
Ela sorria na sua imagem menina,
E tantas foram as esperanças,
Que parecia uma púrpura resina.

O Rei então perde o seu olhar,
Nas nuvens que o céu carrega,
Tarde azul de longo voar,
nas asas da saudade que chega.

Canta o Rei sua canção de sonhar,
Aquela que a sua amada faz lembrar,
E pássaros num sutil revoar,
Mostraram que vale a pena esperar.

Esperar que talvez num dia qualquer,
Essa brisa que roça a tez,
possa se transformar numa mulher,
E juntos viverem um dia de cada vez.

E o Rei nesse tom de saudade,
Num recuo lacrimejante de piedade,
Fecha a janela e o breu o quarto invade,
Deixando os olhos negros de solidão arcaide.

Apenas promessa de solidão,
Que o coração não aceita,
Mas, está o Rei triste no coração,
Porque a sua vontade foi desfeita.

Queria o Rei içar seu voo planicie afora,
Buscando no tempo, seu tempo mocidade,
Pra viver seu auge antes de ir embora,
Para onde não entra essa tal saudade.

E o Rei ali sonhava acordado,
Com a sua Rainha bem ao seu lado,
Mas, não passou de um momento isolado,
Onde apenas o sonho trouxe o seu bem amado.

E assim o Rei fecha seu caderno,
Onde a poesia um dia escreveu,
Que todos saberiam que todo este querer terno,
Está no peito desse Rei, que por acaso, sou Eu!
Socrates Di Lima
Enviado por Socrates Di Lima em 17/02/2021
Código do texto: T7186678
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2021. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.