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A Pão e Água

não obedece o meu tolo carinho
não se preocupa com a minha paixão
nem me escuta aquele estalinho
que bate apertado no meu coração

não se exaspera com a minha meiguice
não se abate com a minha tristeza
se algo me fala, é alguma tolice
na qual logo encontro a maior sutileza

nunca se toca com a minha presença
nunca se toca com a minha aflição
nunca a toco, a vontade é imensa,
sem que eu tenha autorização

nunca me dá a menor esperança
nem que ela saiba que não quero mais
mantê-la presente na minha lembrança
somente pra ter mais um pouco de paz

nem o olhar que agride ela dá
nem o sorriso forçado ela ri
quem dera pudesse sua voz escutar
ainda que fosse só pra me ferir

nem uma carta, uma linha, uma letra
nem o disfarce do aceno com a mão
viajou pra bem longe, deixando a ampulheta
marcando o tempo por obrigação


Rio, 04/07/2003
Aluizio Rezende
Enviado por Aluizio Rezende em 11/06/2006
Reeditado em 02/10/2006
Código do texto: T173780


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Sobre o autor
Aluizio Rezende
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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