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SOLIDÃO



O cantor na cederola me enrola com seus versos de tristeza
Enquanto eu, de sobremesa, como versos sem poder dizer um a;
Ela pinta suas unhas com a arte de estilista,
Trinca os dentes se a chamo, ela está ao telefone,
Em desespero quer a calça que viu ontem na vitrine,
O sapato new stile, o cabelo low profile,
Diz que amanhã é longe, o desejo não é Bond,
Quer um homem natural...
Quando lê Paulo Coelho diz que urina nos joelhos,
Gosta de ver Jô Soares, compra um monte de espelhos
Pra melhor se enxergar...
Nova York é muito pouco, diz que o barato louco
È Marrocos ou Irã...
Veste as minhas camisas, vem, me beija, me inferniza,
Auto-ajuda? Quem precisa? Quem não vem não pode estar...
Se manda cedo pro analista, diz que me deixou uma lista
Do que quer para o domingo, gasta uns trocos lá no bingo,
Bebe uns drink's com as amigas, diz que viu numa revista
Uma praia ensandecida, vai reservar duas passagens,
É só mais uma viagem que faremos pra uns acertos,
Diz que eu não tenho conserto, só preciso de uns apertos
No meu cérebro de idéias, é melhor eu me curar...
Vem a noite, já é sábado, uns uisquinhos e queijinhos,
Tira a roupa e me chama, quer trançar lá sobre a cama
Uma dança que aprendeu...
Se entrega feito fera, me assanha, me escalpela,
Me comeu, diz que foi ela que preparou o jantar...
Em suave aroma encosta seu corpinho-graviola,
Ronronando me devora com seu jeito sedutor,
E eu, cansado, me iludo quando ela meu escudo
Vem e acaba de quebrar...
Sei que o dia já vem vindo quando a noite vai sumindo,
Ela acorda e sorrindo diz que não sabe amar...



Preto Moreno

 


 

Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 13/07/2006
Código do texto: T193350


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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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