Os intimamente ligados

Os intimamente ligados

São acordes que criam suaves laços

Como pautas intrincadas sopradas a flauta

Eles permanecem face ao tempo e à discórdia

São almas com o mesmo karma

Que acompanham as pegadas da vida

Nos guiam na escuridão de mão dada

E nos abrigam da luz do sol

Os intimamente ligados

São anjos com asas brancas e imaculadas

Ligados por filigranas de puro ouro

Meticulosamente detalhadas e incrustradas

Na vida que nos acolhe em cada despertar

Como sombras presentes de amor e afecto

Semeando percursos paralelos

Unindo extremos, ou criando histórias

São eles os intimamente ligados

Que nos acolhem nesta viagem

Na qual o tempo é tão escasso e fugaz

Permanecendo ao nosso lado

Sibilando ao nosso ouvido

Beijando a nossa face

Abraçando as nossas causas

Enveredando pela mesma liana

Assim seguem os intimamente ligados

Eles estão lá sempre ao alcance do nosso afecto

No céu que nos acolhe a todos

Nas lágrimas que lavam a nossa face

No bom e no mau

Porque só conhecendo o mau

Daremos valor ao que é bom

Os intimamente ligados

São todos os que nos cercam de afecto

São os que permanecem intemporais e eternos

Pela vida, pela sorte, pela armadilhas

Pelos cordões umbilicais que criamos

De forma simbiótica e involuntária

Porque simplesmente os adoramos

Os intimamente ligados

São rostos conhecidos ou fotografias da memoria

Acima de tudo são esforços reunidos

Unidos num mesmo bálsamos

Protegidos pelos mesmos unguentos

Cercados pelas mesmas duvidas

Partilhando os mesmo receios

Vivendo de mãos dadas entre si

Trocando prazer por prazer

Tempo por tempo

Dedicação por amor

Os intimamente ligados

Choram pela mesma fonte

Riem pelo mesmo raio de luz

Respiram pela mesma brisa de vento

São intimamente ligados e sentem

Tudo o que a vida lhes pode conceder

Por isso não se compadecem em falsas ilusões

São carne da mesma seiva

E oram pelo mesmo perdão

Os intimamente ligados

Aceitam e lutam pela amizade

Absorvem e bebem dela o néctar da juventude

São aves que rumam pelos céus

Entregando filamentos de amor

Que se prendem nos intimamente ligados

E assim encarcerados na vida uns dos outros

Permanecem à espera do mesmo sopro de vento

Para que ele os leve finalmente na mesma direcção

Porque aos intimamente ligados não resta senão a absolvição

E a todos os intimamente ligados

Que espero intimamente encontrar os seus filamentos

Acreditem que algures no infinito universo

Existe um, dóis, vários intimamente ligados

À espera da vossa bênção e união

Assim a esperança não finde

Assim o destino não termine

Assim a história não se perca

Entre aqueles que pelo acaso

Se tornaram intimamente ligados

Sonya
Enviado por Sonya em 08/04/2012
Código do texto: T3600831
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