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Um ser querubim

Somente estás disponível para mim,
isto é, comigo tu te importas,
agora que as ruas de tua cidade jaz mortas;
 
instante em que reclusa te lembras de mim
e com virtual displicência entras em órbita
à caça de minha figura torta;
 
ainda assim meio indisposta,
como se eu estivesse à sua volta,
como se eu fosse um ser querubim.
 
Mal sabes tu que o ramance,
feito lavoura em terras arenosas,
tal plantio de delicadas rosas,
carece de seiva e afeto abundante.
 
Corres para meus braços e te dizes liberta,
agora que estás sem companhia para as festas,
agora que feneceram as flores de teu jardim.
 
Teus ares de abelha-rainha saíram de moda,
agora que troquei a chave de minha porta,
agora que perdi a auréola de querubim.
 
Mal sabes tu que até a eternidade
tem um marco inicial de finitude
e que é em cada fração de atitude
que reside o ar renovável da felicidade.
Cid Rodrigues Rubelita
Enviado por Cid Rodrigues Rubelita em 23/09/2012
Código do texto: T3896364
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Cid Rodrigues Rubelita
Curitiba - Paraná - Brasil
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Cid Rodrigues Rubelita