AQUELE RETRATO

Viu na lógica tua furtiva decisão

Teu retrato, como a mim negar,

Tua sentença, minha condenação,

Mesmo réu... não vou admoestar.

Referencial... é minha pretensão,

Ao vê-lo, quero de ti aproximar,

Com mestria, este meu coração,

Mesmo sombrio, vai-te perdoar.

Sou afável... mas nunca agastado,

Motivos não há para desconfiar;

Tens bondade... e tenho pensado

No amor, em breve te encontrar.

Vazio... coração meu!... há espaço...

Que fiz propósito contigo ocupar;

És o mar, eu o improfícuo algaço,

Assim mesmo... eu te quero amar!

Riva. 005

Rivadávia Leite
Enviado por Rivadávia Leite em 04/09/2005
Código do texto: T47583