JACI

Eras um sonho comum

que pintei

com as cores

de Picasso,

um texto raso

que refiz

com a eloquência

de Saramago,

uma alma frágil

que mergulhei

nas profundezas

de Dostoiévski,

de uma beleza rara

magnificamente única

como a música

de Belchior,

uma obra

imperfeita,

um vinho

que não respira

mas pelo qual

me entorpeci

até confundir meus gostos

e embaralhar

todos os quadros,

discos, livros

numa pessoa só,

encarnação

do perfeito

e inexato,

uma piada

da qual ri

até a gargalhada

virar pranto

sem graça

assim cai

na desgraça

ao te querer

e me perder...

Diego Duarte
Enviado por Diego Duarte em 31/10/2016
Reeditado em 31/10/2016
Código do texto: T5809156
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