Escusas

Desculpas por tudo e por nada

Escusas pelo ontem, o hoje e o amanhã

Parei a bola: não chutei

Perdi o ônibus para São Paulo

O copo caiu da pia

A laranja se esborrachou da geladeira

Pisei no seu pé

Escrevi demais

*

Escusas por sentir mais que tudo

As palavras saíram e lhe chegaram da forma que não percebi

Furei seus escudos

Não lhe protegi

Já não tenho mais forças para fortes batalhas

Hoje quero arrancar minhas unhas

*

Escusas pelo que sou e serei

Vou limpar o chão

Tentarei chutar a bola

Amarrar a laranja

Chegar mais cedo ou ir a pé

Não tomar água

Resguardar palavras

Guardar os rascunhos empoeirados e rever tudo

*

Desculpe-me por não controlar o tempo, tampouco o vento

Não tenho a onisciência e nem sempre ando consciente

Posso tatear melhor o quadro e pintá-lo de amarelo

Mas não poderia adivinhar que não gostastes

Vou arranhar as paredes, pois sei que não posso controlar os tijolos

Pintarei com pincel novos quadros, novas formas e com novas cores

De repente, em algum canto, encontre o perdão pintado da forma que desejar.

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