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Escusas

Desculpas por tudo e por nada
Escusas pelo ontem, o hoje e o amanhã
Parei a bola: não chutei
Perdi o ônibus para São Paulo
O copo caiu da pia
A laranja se esborrachou da geladeira
Pisei no seu pé
Escrevi demais
*
Escusas por sentir mais que tudo
As palavras saíram e lhe chegaram da forma que não percebi
Furei seus escudos
Não lhe protegi
Já não tenho mais forças para fortes batalhas
Hoje quero arrancar minhas unhas
*
Escusas pelo que sou e serei
Vou limpar o chão
Tentarei chutar a bola
Amarrar a laranja
Chegar mais cedo ou ir a pé
Não tomar água
Resguardar palavras
Guardar os rascunhos empoeirados e rever tudo
*
Desculpe-me por não controlar o tempo, tampouco o vento
Não tenho a onisciência e nem sempre ando consciente
Posso tatear melhor o quadro e pintá-lo de amarelo
Mas não poderia adivinhar que não gostastes
Vou arranhar as paredes, pois sei que não posso controlar os tijolos
Pintarei com pincel novos quadros, novas formas e com novas cores
De repente, em algum canto, encontre o perdão pintado da forma que desejar.
***
Lúcio Alves de Barros
Enviado por Lúcio Alves de Barros em 11/01/2017
Código do texto: T5878595
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Lúcio Alves de Barros
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil
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Lúcio Alves de Barros