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A PRIMEIRA PALAVRA

Seria, se fosse, a vida, doce,
aos amargos tempos de pomares bélicos,
seria, suave, se fosse, o coice
no dorso do tempo de homens céticos,
nem haveria a necessidade
de se mentir sobre a verdade...

Poria, a mão, sobre a ferida, o unguento,
folhas macias de índios sementeiros,
faria, em cura, a música de um só movimento,
carruagens livres e celestiais cocheiros,
nem haveria de se escravizar o asfalto
sobre a tenra terra e o mato alto...

Luziria, acima, a lamparina de óleo fervente,
caminho ao berço da primeira civilização,
onde anjos desfaziam nós de sãos e dementes,
a casa sem portas recebia o homem e o cão,
igualdade de gestos num pátio de luz,
nem haveria a necessidade da alta cruz...

Cai a este chão de cimento e folhas de argila
a concepção sonora da primeira palavra
transformada em gemas de orelhas frias,
cai e se levanta e se limpa e se suja com a mão,
e esmorece e nunca morre a imensa ilha
que do homem habita seu vivo e morto coração...


Preto Moreno
Enviado por Preto Moreno em 26/01/2018
Reeditado em 26/01/2018
Código do texto: T6236827
Classificação de conteúdo: seguro


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Sobre o autor
Preto Moreno
São José do Rio Preto - São Paulo - Brasil
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