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Sina e tons

O sentimento que senti me trouxe aqui
Para uma conversa com voce, meu pai!
Todos viram, mas não ouviram...
Porém da verdade não puderam saber.

Encantei-me pela sua voz, pelo seu olhar
Pela sua atitude, pelo seu caráter
Para com as coisas de outrem
Distante da luz incandescente da ribalta.

Ali, onde os sons não podiam ser ouvidos
Cadeiras movendo e removendo
Diante da força dos pensamentos
Porém verdade e fatos por voce foram inquiridos.

Era de madrugada, meu pai, ainda lusco fusco.
O lampião a gás que geralmente
Clareava o anoitecer tinha se apagado
E longe, muito longe soava a sirene da fábrica 

Pouco a pouco amanhecia e na imensidão do meu ser
O ermo de minha alma, meu pai, sorria
E sentados sobre o pilão ou banco de madeira sua canção preferida meu pai cantávamos .

A enxada que empunhaste e com a qual carpia o chão
O machado com seu corte ardente
A foice com a qual espantava serpente, meu pai,
Já não existem mais, a ferrugem para sempre levou.

Que sina meu pai... Tudo teve fim!
R J Cardoso
Enviado por R J Cardoso em 14/06/2018
Reeditado em 15/06/2018
Código do texto: T6364163
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
R J Cardoso
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 68 anos
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2 e-livros (449 leituras)
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R J Cardoso

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