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COSTURANDO...

E então me vi de uma forma
Ontem uma luz iluminou e se foi
Outra que ficou e eu nem notei
O mundo se distanciou
Para que eu pudesse
Tal qual uma costureira
Ir costurando ponto a ponto
Desse sonho
 

Ir alinhando pedaço a pedaço
Do meu corpo
Colocando junto com as pernas
Um joelho, umas coxas e um pé
E junto do peito
Um coração e uma pele suaves
 

Para que penetrar seja simples
Ficar seja bom
E sair não seja só uma porta de entrada
 

Ir costurando na cabeça
Uns pelos mais embaralhados e soltos
Um olhar doce que traga mais pessoa para pessoa
E uma boca que não deixe de falar
Nem de calar os silêncios e as vozes roucas
 

Um pouco mais brandos
Deixarei os ouvidos
Um pouco mais loucos
Colocarei meus olhos
Nesse seu passado, nesse seu futuro
Rindo de si mesmos
Quando escutarem o barulho do vento que não ventou
Conforme desejamos
 

Rindo de si mesmos
Ao perceberem que outro desejo tem mais poder
O de derreter nossas resistências
O de furar nossas impotências
E o de viver sendo o pouco suficiente pra viver
 

Quando eu voltar
Para o meu trabalho
De costura
Vou perguntar
Pra que ele serve.
Entender que ele não serve pra muito
Como nada serve muito para alguma coisa
Apenas um amor serve
Pra mudar não a nós, mas o que ficou em nós
Depois de um dia duro
Sobre um corpo exausto de tentar encontrar
Ali ou em outro lugar
Alguém que já somos há tanto tempo
 

Ir costurando
Com uma das mãos uma agulha
Com a outra segurando uma senha
Que nos dirá:
Um dia a gente ri
Outro, chora
E um outro ainda sente
Que um ponto espetou
Mas outro fez de quase nada

Uma vida inteira de sonhos...

 

SonhosSabordeMel

por

LOBAMEL

29/08/2007
Lobamel
Enviado por Lobamel em 04/09/2007
Código do texto: T637924
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Sobre a autora
Lobamel
Vinhedo - São Paulo - Brasil, 46 anos
46 textos (1358 leituras)
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