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Fim de uma paixão

E o tempo que era ínfimo se alastrou
A magia rara perdeu o encanto
A alma alegre de triste se curvou
E o rosto tornou-se um mar de pranto

De nada valeram os pingos da chuva
O solo fértil cálido se petrificou
Os pássaros canoros dormiram
Perderam o ponto nenhum cantou

De amuleto da sorte em nó
A um brinquedo esquecido
De um lindo e festivo vestido
A uma peça módica de brechó

O que se supunha invencível quedou
Os santos queridos nada disseram
As traças em tudo se sobrepuseram
A reza embora forte de nada adiantou

As flores de tristes murcharam
O que parecia eterno findou
O vento impiedoso mais forte soprou
E as pêndulas velas por fim se apagaram

O fogo da louca paixão apagou
E o tempo agora é fartura
Mesmo sem proveito algum restou
Tão somente uma noite vasta e escura.

Era paixão. Não era amor.

_____________
António Souza
Enviado por António Souza em 11/10/2018
Reeditado em 17/10/2018
Código do texto: T6473756
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
António Souza
Manaus - Amazonas - Brasil
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António Souza

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