ÁCIDAS LUZES DE PARIS

Negras luzes invadem o quarto
Chegam por grades quadriculadas
que se jogam pontiagudas no teto
Prisão pesada de perguntas e lâminas
 
Em puro pranto a Torre Eiffel
é oceano em fel nos rios do corpo
Risos de bruxa posta no alto de Notre Dame
Mais poderosa que orações no Santo Sepulcro
 
Vivo
não estaria tão morto o estrangeiro
Corpo entregue à execução
 
A Torre seria montanha de mel
houvesse beijo de reconciliação
 
As sombras das grades no teto
grafitam-se no chão e paredes
Cobrem cama e corpo inanimados pela saudade
 
Trêmulo como que tomado de malária
transpira mais líquidos que o peso do corpo
Convulsiona em delirium tremens
pela abstinência do beijo
 
Luzes trazem a Torre para o quarto
Aprisiona em túmulo mínimo o máximo de dor
 
Sepultam em aço
o rio em brasas em que nos desfaço
Rossyr Berny
Enviado por Rossyr Berny em 28/02/2020
Código do texto: T6876602
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