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Operário

De manhã entrava no ônibus como quem nada houvesse dormido
Encostava-se aos bancos empoeirados e cochilava até o final; descia
E pelas ruas quase desertas caminhava, atravessa os faróis das antigas
Avenidas, onde a vida lentamente ao longo do dia se desenrolava.

De longe avistava a enorme fila dirigindo-se às construções
E ouvia o tilintar do relógio de ponto marcando os cartões garantindo
A presença de cada um no canteiro, depois sentava e toma
O café com um pedaço de pão recém chegado da padaria
.
Logo tocava a sirene avisando de fato o verdadeiro começo da labuta
Na disputa por uma vida melhor, com a santa dignidade onde
A humildade não aceitava o orgulho, a bondade não tinha dimensão
E a vida era um toque de amor que cantava louvor à alegria.

À noite, após o fim do dia, retornava repetindo o mesmo trajeto
As pessoas eram diferentes e memso exausto as concebia
Percebia o anoitecer com as luzes que se acendiam
Mostrando-lhe o caminho a seguir. Sabia-se apenas que amanhã
Tudo irá se repetir... Operário, que de tijolo em tijolo,
Edifício levantara e nele nunca teria seu nome gravado,
Nem mesmo se um novo dia, de subito, surgir.
R J Cardoso
Enviado por R J Cardoso em 08/11/2007
Reeditado em 08/11/2007
Código do texto: T728170
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre o autor
R J Cardoso
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil
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R J Cardoso

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