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Advogado do amor.(Kátia)

Advogado do amor.

Toca a campainha no silêncio da noite,
largo o livro no meio do caminho,
me desepero com a quebra do silêncio.
Quem pode ser essa hora da madrugada?
As chaves não estão na porta, esqueci na calça,
a demora me acalma, mesmo sem ver, sinto a tua presença,
sempre foi assim, desde pequenos,
sempre que você caía, eu te socorria,
quando os meninos te maltratavam, eu te defendia.
Droga, onde está a chave? A calma me abandona.
Do quarto eu ouço a porta abrir, ela tem a chave,
combinamos em caso de emergência.
Já não tinha dúvidas, vejo teu rosto molhados por lágrimas,
que tenta esconder, teu cabelo diferente escondendo parte do rosto,
como querendo ser outra mulher, dizer um basta!
Ti abraço contra o meu peito, e fico calado diante do teu silêncio.
Eu penso, mas uma vez ele maltratou você, me diz, eu vou ti defender,
nada, você não fala nada. Derepente você troca as palavras que não diz,
pelas mãos que me acariciam, dos meus cabelos descendo pela coluna,
aperta minha cintura de encontro a sua, enquanto seus cabelos negros
perfumam meu peito, eu me afasto. Você sabe que não podemos,
não nos pertencemos, então como um álibi, você mostra no seu rosto
a marca da violência, eu pego Martine, e o gelo que passo no seu rosto.
Como se pudesse aliviar a dor, teu corpo quente derrete o gelo imediatamente,
do sólido para o líquido, que escorre pelo seu decote,
e molha o teu seio, e seus bicos endurecidos ferem meu peito,
tiro sua blusa para que não possa se resfriar, beijo tua boca para que
possa criar anti-corpos, tiro todas suas roupas para que respire,
e faço amor contigo para que transpire, e bote para fora todo esse desejo
que durante anos foi reprimido, ti convido para fazer de tudo, do permitido
ao proibido, sem regras e sem pudores, nos livramos da amizade,
agora somos dois desconhecidos, que se tornam íntimos pelo pecado.
Enquanto isso não se ouve palavras, só gritos e gemidos, comunicação
sem fala, a sensação de que tudo isso já tinha acontecido em nossos
sonhos mais íntimos, e nada apaga essa chama que nos devora e não
deixa a noite dormir, o sol tenta nos persuadir a desistir, então fecho
a cortina, a noite não vira dia, como se recuperasemos uma vida em
uma noite, uma noite em um dia, agora estamos para sempre unidos.
O celular toca, não é o meu, é o da Kátia, ela fala por alguns minutos,
pede meu cartão, e diz para alguém que está do outro lado da linha,
não me procure mais, fale com meu advogado, e volta aos meus braços.
Então eu digo: Excelentíssimo Senhor Juíz de Direito da Comarca da
da Capital, sem mais no momento pede-se deferimento.

Ricardo di Paula, 22/11/07.

Ricardo di Paula
Enviado por Ricardo di Paula em 23/11/2007
Código do texto: T748777

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Sobre o autor
Ricardo di Paula
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 49 anos
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Ricardo di Paula