ALGEMAS DO TEMPO

Algemas do tempo

Vivo acorrentada ao passado

Não consigo me desvencilhar

Vivendo das poeiras de estrelas

Que só me fazem orbitar meu pensar

São minha aliança de noivado

De um nunca poder se acabar...

Passado das mil loucuras da paixão

Eternamente fincadas como estacas no coração

Amarrada, amordaçada, inerte a recordar

Loucas loucuras que fizeram meu sonhar

Debulhando lágrimas, um pinga-pinga sem cessar...

Algemas que me amarram, que eu incapaz

De voltar e me soltar, só algemada pra reviver

Com teu olhar, gotas do mais puro sentimento

Algoz és tu que me crucificas nas ondas deste amor

Semblante de um passado tão fugaz e enganador...

Grilhões das tuas promessas, de sensações tão diversas

Que quando sorrias eu sofria das tuas ironias

Mas dos enlevos das tuas fantasias, eu queria

Que o mundo cá fora explodisse e me amaldiçoasse

Se eu estava sendo feliz era o que me importava

Meu amor era uma tentação e isso me bastava...

E eu fui me rastejando e escravizando,

Fui aos poucos me anulando, só comigo pensando

Algemas da minha alma sedenta de tanta promessa

Num amor louco, sedutor alcoviteiro de minhas preces

Pra retirar amargos sentidos rezando, mas te desejando...

O tempo vai e vem numa corredeira sem fim

E eu atada com minhas algemas sofrendo

Mas querendo sempre todas pra mim

Pois elas são meus sonhos de você

Sem elas não posso jamais viver

Porque sem você, melhor morrer...

Myriam Peres

Myriam Peres
Enviado por Myriam Peres em 15/01/2008
Código do texto: T818291