Sentidos incontidos - Adriana

Vejo no horizonte, tuas curvas explicitas,

Num corpo revelado pelo entardecer

Suave, delineado, a porção que me excita,

Nos seios expostos, com a luz a envolver...

~

E que se movimenta lento, esmaecido,

Rica visão, pernas com pelos dourados

Num jeito, que não passa despercebido,

Parecendo que a primavera vive ao teu lado...

~

É por que vive cercada de flores matinais,

Com aromas que me embriagam num todo

É um veneno, atacando meus instintos letais,

Resguardando aos teus braços, o verdadeiro antídoto...

~

Diabo com cara de anjo, tão maledicente,

Que diz aos meus ouvidos as suas taras e aventuras

Aquilo que a mente ouve, e a pele até sente,

Sondando por outras possíveis loucuras...

~

Queres medir minhas emoções?

Então venha, faça-me reflexo do teu espelho

Meio a meio, cara a cara, outras variações,

Nos castanhos de teus olhos, no teu sangue vermelho...

~

Procuro fatos na tua vida, te conhecer é preciso,

Pois vivo, mais que vivo, neste teu jeito de ser

Mas se morro, mais que morro, tão conciso

Em meio aos teus cabelos, eu posso me ver...

~

Emocionando-me com tuas lágrimas de prazer,

Que molham ao meu peito, misturando-se a mim

Pois quando minha pele posse a sua absolver,

Eu te reconheci amor, nas flores de meu jardim...

~

Seguindo na contra-mão do tempo, sou menino,

E você é meu brinquedo novo, não quero largar

Boca rosada, seios fartos, jeito tão feminino,

Eu cresci em você, quando desejei te amar...

~

E deitei contigo no teu horizonte, já entardecia

O sol lá se ia, a noite cai, enquanto a lua vem

Para clarear tua boca, e o veludo de pele tua macia,

Fazendo a tua sombra subir sobre a minha também...

~

Eu vou, juro que vou, ao som dos realejos,

Dançar contigo, a sonata da madrugada

Minha dama da noite, senhora de meus desejos,

Meu corpo, minha pele, minha bem aventurada...

~

Meus sentidos incontidos estão revelados,

No meu corpo marcado com satisfação

Assinados com suas unhas, o couro rasgado,

De quem com amor, alcançou a perfeição...

~

De tão perfeito que és, dar-te-ia um nome,

Mas prefiro não lhe nomear por sentenças

Pois meu corpo no seu é que mata a fome,

Sendo totalmente iguais, em nossas diferenças...

~

E assim sendo diferente, eu lhe corrompo vida,

Tendo em visto que o amor, a gente não engana

Pois a vida cabe na morte, e te jurei querida,

Que para sempre será a minha Adriana...

~

Que dos montes, alcanças a conceição,

Levando ao ventre, uma flor entre os ramos

Que um dia triunfará, na mais perfeita aparição,

Dando prova de quem somos, e porque nos amamos...

Marco Ramos
Enviado por Marco Ramos em 01/03/2005
Código do texto: T5476