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Não me mintam



Não me mintam quando afirmam.
Não me queiram enganar.
Que a morte não é vida
Não me venham perturbar.
Da morte medo eu tenho.
E de tanto medo ter
Eu dela estou a falar
Não como morte mas vida
Pois a morte é a vida
ao universo devolvida
na forma espiritual.


Da morte expande-se a vida.
 Prolonga-se num impulso
E é tal o ressurgimento
que acalma invade a alma
de quem vive esse momento
que é de grande sofrimento.
E também de apaziguamento.
pois toda a morte deixa rasto.


Toda a morte é desafio.
É um sopro um arrepio.
É essência e energia
que explode de repente.
A morte nunca apaga
o que à terra doou
Nem as páginas ficam rasgadas
Nem as almas perturbadas
Nem a semente perdida
Nem a terra destruída
A história não se apagou.


Porque fica a lembrança
Por muito amor partilhado.
A morte representa vida
Que da terra vai brotar
E mesmo se de sombria
a morte nunca é fria
A morte é desventura
que faz à gente faz chorar
mas um doce sentimento
ficará no nosso olhar
pois que nos vai recordar
aquele ser tão querido
que a morte nos veio roubar.
ela veio trocar
revolta tristeza e dor
por um eterno amor


E da morte veio a vida
Livremente a despontar
As crianças continuam rindo
Os pássaros a voarem
As nuvens a passarem
Os ventos a uivarem
As chuvas a caírem
Os mares a crescerem
Os rios a correrem
As gentes a povoarem
O sol a despertar
As noites a descerem
A terra a noivar
Branquinha a neve a cair
Os campos a florirem
Os renovos a crescerem
da terra a despontarem.
As árvores a sombra darem
Toda a terra em movimento
O horizonte lá está
Sempre no mesmo lugar
Toda a terra em crescimento
Os ciclos a renovarem

 Morte é vida em transformação
Sentimento emoção
E quem estiver atento
Hinos se ouvem a cantar
De louvores à vida dar.
Que foi a morte a causar

 
De T, ta.



Nota: Tenho pavor à morte. A morte de entes queridos me deixou triste e muita dor. Mas tento compreender a morte pelo lado positivo da transformação em vida. Por exemplo a vida que tenho em mim que tenho no coração recordando a minha mãe e pai como se de mim nunca se tivessem separado.Por outro lado a renovação da vida na terra que vai acontecendo todos os dias. O ciclo natural de todas as coisas.

A morte tem dois sentidos: o consciente e o inconsciente contextualizado num todo humano, mas ao mesmo tempo encerra um elemento físico a que os gregos chamavam de phis-surgimento desabrochar da vida.

Ouso aqui reflectir não somente sobre a vida mas morte/vida.
Escrevi este texto receosa de não me fazer entender, de errar no que conceptualizo. Fui-me apropriando ainda de conceitos apreendidos em textos alguns muito difíceis de entender e me enquadrar neles e que vou traduzindo à minha maneira.

Cito Necros de Humberto Calloni sobre o sentido e significado da vida revista espaço académico nº 33

“ Eu sou um vivo do qual tu és o meu morto e o meu morto o meu próprio vivo”

Mais `a frente esta citação
Segundo Roger Garaudy, "O mundo das coisas finitas, daquelas que têm começo e fim, que nascem e morrem, que constituem o devir, é antes de tudo o dos objectos sensíveis, da pedra à árvore e do animal à estrela. Esse conjunto do mundo exterior, de que temos experiência vivida, sensível, recebe no pensamento hindu o nome de maya. Por inveterado preconceito ocidental (que remonta pelo menos a todas as tolices que Schopenhauer disse a respeito do budismo), traduz-se maya por ilusão. Ora, justamente, para o pensamento hindu, o mundo exterior, o mundo do devir, não é uma ilusão. Os diferentes objectos têm uma realidade, mas uma realidade sem fundamento em si mesma. (...)"


E fiquei por enquanto por aqui não me vou confundir mais…nem confundir os leitores de R.L.
Concebi o poema à minha maneira bom ou mau foi o que me ocorreu. .

Tétita
Tetita
Enviado por Tetita em 24/08/2007
Reeditado em 31/08/2007
Código do texto: T622126

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Sobre a autora
Tetita
Setúbal - Setúbal - Portugal
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