Para Rodrigo Dantas, em Cabo Verde.



Era uma vez um menino
A deslizar íntimo nas dobras do vento...
Era uma vez um menino e seu barco
E um mundo azul como momento.


Mas malvado instante, contratempo
Roubou-lhe a carícia amante das ondas
E a maldade de gente abissal
Fez do que era essência mal.


Mas a surpresa desta história
Plena de honra e de glória
É que o menino fez-se resistência
E enfrentou a cara feia da inclemência.


Em terra estranha dita Verde
Tornou-se dourado feito ouro
E nos ensinou que a sede por justiça
É o veleiro de nós todos.


O vento domado pelo menino
Verga ondas, aplaina Cabos
E o sorriso que da cela refulge
É farol que renega naufrágios
É coragem ante a fera que ruge.

Era um vez um menino e  o mar
Parceiro do horizonte, do desbravar
Menino que tem firmeza
Enquanto sonha à casa voltar.

Esse menino poderia ser eu
Ou qualquer outro que a história ler...
Pois a lição que ele nos dá
Exala liberdade em todo seu há de ser.